Soberania territorial
Reforma da administração territorial adequando-a à nossa realidade geográfica, económica e histórica e possibilitando o exercício de uma gestão democrática, eficaz e transparente.
Tradicionalmente a organização social do nosso País fundamenta-se na articulação de conjuntos de unidades familiares em pequenas comunidades interdependentes: aldeias agrupadas em paróquias. Estas paróquias, essencialmente autónomas do ponto de vista económico e político até a chegada do “Estado liberal”, integram redes de intercâmbio mais extensas, enquadradas num espaço geográfico e histórico denominado comarca. A imposição do modelo administrativo “liberal” no século XIX introduz formas de divisão territorial alheias e arbitrárias: o município e a província, criados com o objetivo exclusivo de efetivar os impostos e controlo político estatais. Isto traduziu-se na substituição dos concelhos abertos paroquiais e de aldeia, geridos por democracia direta, por administradores de designação estatal que monopolizavam as funções executiva, legislativa e judicial. Estes mecanismos não só debilitaram os laços de interdependência e solidariedade comunitária, como também privatizaram os bens comunais, servindo de alicerce para o início da dependência das pessoas a respeito do Estado para a satisfação de necessidades e dotar-se de serviços.
Para a efetivação da soberania cidadã é imprescindível recuperarmos a nossa soberania territorial através duma organização territorial racional e ecológica baseada em aldeias e paróquias (bairros, no caso dos núcleos urbanos) articuladas em Concelhos Comarcais, por sua vez, constitutivos duma estrutura confederativa galega. A divisão provincial de 1833 atende apenas a um modelo centralista de imitação francesa carente de qualquer racionalidade e utilidade para o País. Além disto, numerosas comunidades que partilham a nossa língua e cultura ficaram sob a administração das províncias limítrofes, o que lhes dificulta a sua sobrevivência cultural. A estas comunidades fazemos também extensiva a nossa proposta de se dotarem da autonomia necessária para garantir a sua continuidade linguística e cultural assim como da possibilidade do exercício pleno de decidir em quais estruturas políticas e territoriais desejam estar integradas.
O exercício não limitado da democracia direta deve facilitar um diálogo social aberto para reconsiderar a articulação do País. Por exemplo, a atual divisão comarcal, vazia de conteúdos, deve ser revista em profundidade, guiando-se não em divisões provinciais ou municipais arbitrárias, mas nas relações e vontade reais das paróquias sobre as quais devem construir-se. De forma idêntica, a participação do nosso País nas estruturas estatais e supra-estatais de que atualmente faz parte também deve ser objeto de melhora e diálogo, procurando ainda um papel ativo que dinamize a nossa participação efetiva no espaço atlântico e lusófono.
Seguindo esta lógica, no Partido da Terra trabalharemos para valorizar a estrutura administrativa territorial adequando-a à realidade geográfica, económica, ecológica e histórica galega e possibilitando o exercício duma gestão democrática, eficaz e transparente. Para tanto, contemplam-se as seguintes medidas:
