Soberania e sustentabilidade ambiental
Apagar as limitações de formas de vida sustentáveis e substituirmos uma economia consumista por uma economia sustentável, dirigida para a satisfação ordenada das nossas necessidades
O meio natural e o seu equilíbrio constituem o suporte físico necessário para a existência e sobrevivência de todas as espécies animais, vegetais e o próprio ser humano. O atual sistema económico e produtivo, baseado e focado para a simples contabilidade quantitativa da produtividade, sem reparar nem na qualidade nem nas chamadas “externalidades” negativas geradas polo próprio sistema, juntamente com um consumo de recursos exponencial num mundo finito, está a levar os sistemas ecológicos ao colapso e à destruição, com a perda de biodiversidade ambiental e genética associada, e à degradação das condições de vida das populações humanas assentes nessas áreas.
A este processo acelerado de forma vertiginosa a partir da chamada “revolução industrial”, tem-se que acrescentar o uso da técnica, de efeitos imediatos, e dirigida só a solucionar um problema específico, normalmente de exclusivo interesse económico para as empresas, sem qualquer visão holística e global dos elementos e relações implicadas na cadeia alimentar e nos sistemas naturais, que é tremendamente errado e pode ter consequências imprevisíveis tanto para o meio, quanto para as pessoas.
É imprescindível enumerar também aqui as problemáticas específicas do nosso ambiente mais imediato: poluição, destruição e grave alteração das rias, costas e cursos fluviais pola instalação indiscriminada de indústrias, portos, refinarias, papeleiras, centrais elétricas, destruição do ambiente natural e paisagístico por extrações mineiras descontroladas, eucaliptização para se obter pasta de celulose, urbanismo descontrolado, etc. Atenção especial merece o setor da construção, responsável por uma grande percentagem do uso e esbanjamento de recursos naturais e energéticos, tanto antes de e durante o processo construtivo e urbanizador, quanto posteriormente no uso, manutenção do urbanizado e construído.
O solo, a cobertura vegetal e os sistemas ecológicos que se desenvolvem em cima dele devem ser observados como um recurso natural não renovável e, portanto, a sua utilização deve visar manter sempre a máxima diversidade biológica e afastando e confinando os usos mais incompatíveis com ela aos espaços de menor interesse ecológico e com menor impacto ambiental e paisagístico.
A responsabilidade por esta degradação ecológica é frequentemente atribuída às grandes empresas, enquanto a solução costuma confiar-se aos complexos mecanismos administrativos do Estado. No entanto, esta visão descura a responsabilidade do Estado na promoção duma atividade industrial selvagem, desde a especulação imobiliária nas pequenas vilas até à instalação de grandes complexos industriais petroquímicos ou de celulose, que transformaram radicalmente a nossa geografia destruindo o equilíbrio ambiental. Por trás da promoção do crescimento industrial e urbanístico está a necessidade de se obterem mais e mais impostos com os quais manter não só a estrutura de serviços da administração, como ainda e sobretudo, o poder dos seus representantes e o aparato estatal em si próprio. Portanto, é absurdo confiarmos no Estado, responsável último pola situação ambiental atual, o papel de solucionador. Somos as pessoas, através duma mudança de hábitos e, sobretudo, de valores, as únicas que temos na nossa mão reverter e melhorar o nosso ambiente. Substituirmos uma economia consumista por uma economia sustentável dirigida para a satisfação ordenada das nossas necessidades está nas nossas mãos. Será esta uma tarefa a realizar não só sem delegarmos a responsabilidade nas administrações públicas, mas principalmente contra a vontade de domínio que nasce destas.
Aclarado o papel protagonista que nos corresponde como pessoas, determinadas medidas e regulamentos adotados polas instituições podem servir de catalisadores e apagar as limitações de formas de vida sustentáveis. Neste sentido, no plano da soberania ambiental, o PT compromete-se a:
