Educar para a liberdade

Heitor Rodal Lopes é membro fundador da associação VOGAL, Viveiro e Observatório das Galescolas e membro do Partido da Terra

No eterno e recorrente debate educativo a questão em disputa não é tanto o currículo escolar ou a modalidade de ensino, nem a ideologia dos docentes ou a titularidade dos espaços onde ministram aulas; como o projeto vital e pedagógico que é oferecido às crianças.

Dum ponto de vista teórico absolutamente imparcial e asséptico, e avaliando a educação de maneira isolada doutras considerações, podemos afirmar que não existem modelos educativos bons ou maus per se, mas apenas modelos que tencionam conseguir objetivos prefixados.

Assim, a questão principal sobre educação é qual modelo de sociedade queremos para conviver e deixar em herança às nossas crianças. É muito chocante a ausência absoluta de participação e decisão democrática que os nossos estudantes padecem no atual ensino convencional, mália existirem experiências educativas idóneas a demonstrarem os benefícios de um sistema que, ao contrário, propícia a participação democrática, em que as meninas e os meninos desfrutam do direito de voz e voto e da possibilidade de se desenvolverem em liberdade, segundo as suas preferências e interesses.

O ensino obrigatório atual, filho da revolução industrial e das necessidades dos estados avançados de dispor de mão de obra formada, submissa e obediente, não constitui uma conquista social per se. Separado o lugar de trabalho do lugar de residência e reprodução, as famílias veem-se obrigadas a delegar a educação dos filhos no Estado ou em terceiros, promovidos, consentidos e supervisados por aquele.

Assim, com o objetivo de conseguir uma socialização apenas encaminhada para a inserção no mercado laboral, o mais valorado na escola convencional atual é, por esta orden: a assistência e a pontualidade, a submissão à autoridade, a produtividade e a concorrência com os próprios colegas. Nesta situação, os conflitos, aliás, são resolvidos mediante sanções, e o direito a se exprimir livremente só pode ser exercido quando for concedido previamente pola autoridade. Nessa linha também, os meninos e meninas que não se adaptarem ao molde são afastados e marginados.

Existem no entanto alternativas educativas reais, viáveis e em andamento, sob diversas formas e maneiras de funcionar que cumpre promovermos e explorar. Esses modelos alternativos de educação têm como objetivos principais outros bem diferentes: o primeiro é as crianças medrarem em liberdade para explorarem a sua criatividade e curiosidade inatas; o segundo, as crianças serem elas próprias e sentirem-se queridas, respeitadas e valorizadas polo que são e não polo que saibam ou consigam fazer e, finalmente, aprenderem a se reipeitar, para também respeitarem os companheiros e o contorno. Estes objetivos deviam ser os prioritários num sistema de educação justo e democrático.

Texto d’O Peteiro, n.º 1. Sob licença Creative Commons BY-SA. Agradece-se citação da origem nos seguintes termos: “Artigo publicado originalmente na revista O Peteiro, n.º 1, abril de 2012. Acessível em: http://pt.calameo.com/read/00120331298bff7be2f6e

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