Solidariedade com as vizinhas de Vila Velha. Não passarão!

Cementos Cosmos inicia campanha demandando vizinhos que se organizaram contra a mina a céu aberto. Hoje, amanhã, todas somos as vizinhas de Vila Velha que se erguem contra a barbárie.

A Mancomunidade do Partido da Terra expressa o seu total apoio, compromisso e solidariedade com as vizinhas da paróquia de Vila Velha de Triacastela demandadas pola empresa Cementos Cosmos por atrapalhar o seu caminho de barbárie e destruição da vida, das comunidades, do património e do ambiente. Cementos Cosmos, filial da multinacional mineira Votorantim, é a responsável pola macro-operação a céu aberto que durante as quatro últimas décadas vem arrasando não só com o meio de vida e subsistências das vizinhas, mas também com o mais valioso património arqueológico da Galiza, representado pola Cova de Eirós e as restantes cavernas, algumas das quais foram reduzidas a entulhos.

O empenho das coletividades vizinhais, através das comunidades de montes, associações culturais como a ASC O Iríbio, ou do próprio Partido da Terra de Vila Velha, em denunciar as constantes ilegalidades, ameaças, coações, compra de políticos e funcionários perpetradas polo monstro que aos poucos come a terra sobre a que se assentam, deriva agora na reação típica do “manual de multinacional mafiosa” de procurar perseguir, silenciar, amedrontar, expulsar e arruinar economicamente qualquer oposição organizada por parte da vizinhança das aldeias de Vilar, Castinheiro, Teixo e Vila Velha.

O companheiro Marcos Celeiro enfrenta-se a uma demanda de Cementos Cosmos por «daños y perjuicios a su honor», reclamando-lhe 45.000 euros como castigo por difundir a barbárie a céu aberto através da sua conta nas redes sociais. Outros oito vizinhos foram igualmente denunciados de forma coordenada pola empresa sob outras justificações, tratando-se de uma estratégia perfeitamente planificada para intimidar e forçar pessoas com situações económicas delicadas a abandonar qualquer resistência.

Significativamente, na hora de se receberem estas demandas, as escavadoras e explosivos de Cementos Cosmos violam mesmo a irrisória área de “proteção” de 50 metros na Cova de Eirós, procurando com o máximo esforço que as pinturas rupestres situadas sob a mina não durem outro inverno de chuvas graças às constantes filtrações provocadas pola atividade extrativa. A demanda de Cementos Cosmos, tramitada de forma express (em menos de 14 dias) polo julgado de 1ª Instância nº 13 de Vigo, enquanto as denúncias dos vizinhos e coletivos ecologistas morrem nas gavetas dos julgados, é mais uma evidência da gravíssima cumplicidade das administrações do Estado (incluída a de “justiça”) na perpetração da barbárie e da repressão.

Para além de colaborar com os gastos judiciais que serão elevados dada a estratégia da empresa de procurar arruinar as vidas de quem se ponha por diante, o melhor jeito de dar apoio e solidariedade às pessoas demandadas por defenderem o património do País inteiro é assumirmos a bandeira da defesa de Vila Velha e da Cova de Eirós como responsabilidade de cada uma de nós. Por cada pessoa demandada por defender a terra, Cementos Cosmos e Votorantim terá mais um cento jurando não parar até os expulsar para sempre. O espírito imorredoiro de Osseira, Nebra, Sofám, Sobredo, As Encobras, Corcoesto… revive agora em Vila Velha. Não passarão!

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