O Partido da Terra Eu-Návia renuncia a subvenções eleitorais e fixa o gasto de campanha em zero euros

De obterem representação, os seus deputados e deputadas renunciarão a salário e regalias

O Conselho Executivo do Partido da Terra fixou esta semana o gasto de campanha para as eleições autonómicas asturianas do 25 de março em zero euros, por considerar que, nas atuais circunstâncias “o dispêndio de dinheiro público que realizam os partidos é obsceno”, explicou o Secretário Geral da formação Joám Evans. Os atos de campanha centrar-se-ão em reuniões de trabalho locais nas que o partido pretende redigir um rascunho da Lei Comarcal do Eu-Návia que “será levada à Junta Geral quer com os votos das urnas quer com as 10.000 assinaturas de uma Iniciativa Legislativa Popular”, concretizou Evans. Trata-se da primeira vez que se apresenta uma candidatura nas Astúrias centrada na defesa dos interesses desta comarca de língua galega.

O programa do partido estabelece também que de obter deputados, estes renunciarão a salário, honorários por participação, dedicações exclusivas e outras regalias. O Partido da Terra Eu-Návia aposta na desprofissionalização da vida política, de modo que o ritmo das sessões parlamentares seja compatível com o desempenho laboral de qualquer trabalhador, propondo medidas como a sua celebração em fins-de-semana ou feriados.

Após as eleições do ano passado, cada um dos partidos com representação na Junta Geral do Principado das Astúrias receberam 14.625,07 euros por escano e 73 céntimos por cada voto, o que representou para as arcas do Principado mais de um milhão de euros. A isto há que somar outro meio milhão de euros adicional repartido o ano passado em função dos resultados das eleições municipais e o correspondente às eleições gerais.

Pola democracia e contra o gasto: desprofissionalização

Este gasto público “destinado ao teatro eleitoral” não representa, segundo o PT, “mais do que a ponta do icebergue do financiamento dos partidos políticos que hoje se tornaram organizações ciclópicas com interesses não só diferentes senão habitualmente contrários aos da cidadania que dizem representar”. Para o Secretário Geral do Partido da Terra, “os exércitos de assessores públicos trabalhando realmente para os partidos no governo, contratos das administrações públicas governadas com empresas dos membros do partido governante, favoritismos contratuais e publicitários das administrações para comprar linhas editoriais de meios de comunicação, mudanças normativas e favores burocráticos a bancos e corporações em troca de apoio financeiro para o partido, etc. são apenas alguns exemplos de como funciona a partidocracia atual”.

Desde o PT acrescenta-se: “No ADN do Partido da Terra encontra-se a democratização através da participação, a transparência e a introdução da democracia direta. Entendemos que, com o seu funcionamiento atual, a política profissional e a maquinária partidocrática deterioran o funcionamiento das instituções, muitas delas desnecessárias exceto para suster mais cargos e mais capacidade de esmolas. A democracia é o governo de todos y todas. Uma participação temporária dedicada ao serviço à comunidade e não a um próprio”.

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