Ou é maré cheia, ou será maré negra! Apoio à inciativa Grândola galega

O Partido da Terra expressa a sua adesão às propostas formuladas polo Coletivo “Grândola Galega” e compromete o seu apoio com a candidatura popular que as venha a desenvolver de forma congruente.

Nas últimas semanas multiplicaram-se os chamamentos a participar em diversos manifestos e encontros orientados a promover uma “candidatura de unidade” nas eleições legislativas espanholas de dezembro, que para além do significado que possam ter à luz das dinâmicas estatais, representam induvitavelmente um ensaio para as eleições galegas de 2016. Estas convocatórias têm em comum os apelos a que as pessoas assumam o “protagonismo de forma direta”, a desenvolver a “auto-organização cidadá” e a reclamar o “direito a decidir tudo”, por usar palavras textuais de três dos textos.

No entanto, resulta evidente a distância existente entre as recentes retóricas da “participação cidadã” e da “democracia radical” ou “real” e uma praxe que por vezes acaba reproduzindo as dinâmicas sistémicas da política profissional dando continuidade à infantilização política das pessoas, cuja capacidade de decidir é reduzida às convocatórias eleitorais. Nesse sentido, desde as organizações que conformamos a mancomunidade do Partido da Terra valoramos especialmente o contributo do “Manifesto Grândola Galega” por oferecer uma proposta em positivo para traduzir essa retórica participativa num instrumento político sustentado na democracia direta.

A proposta de que uma candidatura galega de base ampla sustente o seu funcionamento permanente no mandato imperativo assemblear merece toda a nossa consideração, pois responde precisamente a dous dos princípios básicos do Partido da Terra: “contribuir democraticamente para a realização do autogoverno assemblear (art. 2); e reafirmar que “todas as pessoas somos políticas, sendo a política uma função social básica e universal” (art. 3). Por isso, a mancomunidade do Partido da Terra expressa a sua adesão às propostas formuladas polo Coletivo “Grândola Galega” e compromete o seu apoio com a candidatura popular que as venha a desenvolver de forma congruente.

Ainda sendo conscientes de que o autogoverno assemblear pleno passa pola superação do modelo de organização estatal, do regime parlamentar e do capitalismo, entendemos que cumpre apoiar aquelas inicitiavas que procurem avançar no caminho para a democracia direta e quebrar as dinâmicas mais nefastas da política partidária e profissional. Renunciaremos portanto a nos apresentar como Partido da Terra nas próximas convocatórias eleitorais de concretizar-se a articulação de uma alternativa que assuma plenamente a lógica do mandato imperativo e democracia direta assemblear.

Escrito por