Decidem por nós e temos que chamar-lhe democracia: imos às gerais

O Partido da Terra foi fundado em julho de 2011 como movimento de transição para o autogoverno assemblear em concelho aberto e para a autossuficiência comunitária. Desde o início, a suas ações foram sempre encaminhadas a provocar uma transformação radical e necessária do conceito “política”, através da reivindicação da democracia direta assemblear e a construção de institucionalidades alternativas às do estado.

As pessoas que integramos o Partido da Terra temos seguido com interesse e mesmo participado diretamente nalgumas convocatórias dos últimos meses nos que se realizavam apelos para que a cidadania assumisse o “protagonismo de forma direta”, para desenvolver a “auto-organização cidadá” e reclamar o “direito a decidir tudo”, por usar palavras textuais.

No entanto, acabou por resultar evidente a distância existente entre as recentes retóricas da “participação cidadã” e da “democracia radical” ou “real” e uma praxe que acaba reproduzindo as dinâmicas sistémicas da política profissional dando continuidade à infantilização política das pessoas, cuja capacidade de decidir é reduzida às convocatórias eleitorais. Ante a impossibilidade de traduzir essa retórica num instrumento político para a democracia direta, como se tinha proposto desde o “Manifesto Grândola Galega”, cumpre um esforço de visibilização das alternativas políticas à ditadura parlamentar.

Por isso, as organizações paroquiais e comarcais que conformamos a mancomunidade do Partido da Terra decidimos na Assembleia celebrada em Coiro (Morraço) o dia 10 de outubro concorrer com candidaturas ao Congresso e ao Senado do Estado espanhol, confrontando o bloco monolítico de políticos profissionais, estatistas, parlamentaristas e desenvolvimentistas que disputam, com aparente antagonismo, a concessão administrativa de decidir por nós durante os próximos quatro anos, enquanto confiam que continuemos chamado-lhe a “isso” democracia.

Frente esse bloco, iremos defender que “todas as pessoas somos políticas, sendo a política uma função social básica e universal” dando visibilidade a uma alternativa à política profissional centrada no autogoverno das pequenas comunidades que é o anceio que cada vez partilhamos mais pessoas. For qual for o resultado, o verdadeiramente importante e continuar a trabalhar para construir essa realidade desde abaixo e não desde Madrí, porque queremos e devemos estar nas nossas comunidades. Desde elas agiremos e elevaremos a voz do comum, utilizando as formas e funções necessárias para que chegue a qualquer espaço e para que ultrapasse qualquer fronteira.

Candidaturas abertas de torna-torna

A eleição por sortes foi considerada historicamente a principal característica da democracia. Frente a política profissional, numa comunidade democrática, todas as pessoas devem ter a condição de sujeitos políticos plenos, sendo as quendas aleatórias e rotativas um instrumento fundamental, desde a ecclesia ateniense até os concelhos abertos paroquiais galegos.

Para reivindicar essa figura, o Partido da Terra decidiu optar por aplicar este sistema na elaboração das suas candidaturas para o Congresso e para o Senado. Qualquer pessoa poderá optar a formar parte das candidaturas enviando um correio eletrónico para info@partidodaterra.net (indicando nome, circunscrição pola que deseja concorrer e dados de contato). As listas serão geradas de forma aleatória utilizando random.org num ato público e transparente.

Avais

Para o Partido da Terra poder apresentar as suas candidaturas das Eleições Gerais de 2015 precisa reunir avais de 0,1% das pessoas eleitoras inscritas em cada uma das circunscrições eleitorais, o que representa aproximadamente 350 assinaturas para as circunscrições de Lugo e Ourense, 900 para a de Ponte Vedra e 1100 para a da Crunha. Para facilitar esse processo, disponibiliza um formulário web onde qualquer pessoa, de jeito privado e confidencial, podem oferecer o seu aval ao PT, sem que isso implique qualquer outro compromisso nem manifestação da intenção de voto. Contudo, cumpre lembrar que só se pode avalizar uma candidatura. De teres certificado digital (assinatura electrónica), também podes dar o teu aval diretamente nesta ligação.

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