«O PT é mais um indicador do colapso do atual jeito de entender a política»

“Soberania e sustentabilidade” é o eixo articulador das propostas que estão disponíveis para o debate público desde hoje numa plataforma digital

O Partido da Terra apresentou hoje em sociedade a sua proposta de programa político, depois de vários meses de debate interno e diálogo com associações, coletivos e movimentos sociais. O ato iniciou-se às dez da manhã na Biblioteca Pública Ângelo Casal de Santiago de Compostela. O Presidente do PT Xico Paradelo iniciou a sua intervenção destacando a anedótica situação de “apresentar-se esta proposta de regeneração política e democrática ao mesmo tempo e no mesmo lugar onde se despede e fecha definitivamente o ciclo histórico e social encabeçado pola casta política do franquismo e da chamada transição”.

O Secretário Geral do PT Joám Evans destacou que o elemento estruturador do programa, articulado em oito pontos de “soberania e sustentabilidade” (cidadã, territorial, ambiental, alimentar e energética, económica, social, cultural e linguística), é “a ênfase na democracia direta, na devolução do poder de decisão real às pessoas e à desprofissionalização da vida política”. Para a sua concretização, o PT propõe diversas linhas de atuação, entre as quais destacam o reconhecimento das paróquias rurais e bairros urbanos como espaços fundamentais para a expressão da vontade política, cujo desenvolvimento deve ir paralelo a uma racionalização da administração fundindo municípios até os limites comarcais e suprimindo a obsoleta divisão provincial do país.

Para além de apelar para uma reestruturação do conceito de política como prática cidadã ativa, com ênfase no poder local, as propostas apelam ao protagonismo da cidadania na hora de resolver os graves problemas sociais, económicos e ambientais do nosso tempo. Com um forte componente ambientalista, o PT defende o estímulo da localização da produção, gestão e consumo de energia e produtos alimentares básicos, minimizando o transporte e a geração de resíduos em todos os ciclos produtivos, transformativos e de consumo. Só deste jeito –sustentam– poderá realizar-se uma transição responsável para um novo cenário social e económico caraterizado pola escassez de combustíveis fósseis.

No mesmo ato apresentou-se a plataforma colaborativa digital PT 2.0. Desenvolvida com tecnologia “wiki” de uso livre, a plataforma fará possível com que qualquer usuário de Internet, independentemente da sua relação com o partido, possa realizar diretamente sobre o texto da proposta as modificações ou acréscimos que considere oportunos. A plataforma ficará operativa até 21 de março, sendo que a versão final do programa será ratificada na Assembleia Geral que o Partido da Terra irá celebrar em 25 de março.

Escrito por