Partido da Terra denuncia supressão do correio no rural

Chama à boicotagem da empresa e à criação de alternativas de base comunitária

A Sociedade Estatal de Correios irá proceder em breve à implementação de um plano que se remonta a 2008, para extinguir as entregas postais no rural galego. Um decreto publicado naquela altura e que apenas recebeu atenção, deixava em mãos da empresa estatal Correios levar ou não as entregas àquelas áreas com pouca densidade de população. Na prática, isto traduziu-se numa regulamentação que estabelece que não se levará o correio a qualquer aldeia ou morada que esteja a mais de 250 metros de uma estrada principal.

A medida, que previsivelmente será aplicada em 2013, deixará sem reparto paróquias inteiras, ficando excluídos do serviço entre 200.000 e 400.000 pessoas em toda a Galiza. Correios alega que procura apenas “melhores condições” para os carteiros, destacando “problemas” do rural como a “falta de rótulos en las calles” ou as “deficiencias de señalización”, embora os aproximadamente 1.000 carteiros rurais que dão serviço às aldeias e paróquias do País afirmam que estas questões nunca impediram o seu trabalho e o que na verdade quer a empresa estatal é maximizar os seus lucros centrando-se nas grandes concentrações urbanas.

Os responsáveis de Correios irão forçar às pessoas do rural a deslocarem-se até as capitalidades dos municípios ou a lugares habilitados noutros pontos para recolherem o seu correio, o que evidencia um profundo desconhecimento da geografia humana e estrutura populacional da Galiza por parte dos gestores da empresa espanhola. Uma parte importante das pessoas que moram no rural apenas se desloca para além das suas paróquias, for por questões de idade, das dificuldades de transporte, da impossibilidade de deixar as suas explorações ou da simples inecessidade derivada da auto-produção de subsistência, o que de facto impossibilitará o acesso ao serviço postal.

O Partido da Terra denuncia que esta medida está enquadrada no plano geral de abandono e crescente marginalização do rural, evidenciado com a redução e clausura de outros serviços de educação, saúde e ensino, e que procura a acumulação de pessoas nas grandes áreas urbanas para incrementar o regime assalariado, a espoliação impositiva, a redução do autoconsumo e autossuficiência alimentar e promover setores económicos ecocidas como as grandes indústrias.

Ainda, o PT considera que, de continuar a Sociedade Estatal de Correios com o seu plano de deixar sem serviço postal às comunidades rurais galegas, a resposta deve ser a de criar serviços postais de base comunitária e proceder à boicotagem da empresa estatal. Que sejam as comunidades rurais as que carreguem com os custos da lógica de lucro insaciável e urbanocentrismo deve levar ao mais enérgico rechaço, sendo preferível a dissolução desta sociedade estatal e o fim dos impostos com os que também carrega a população rural galega. Caso contrário, e como já acontece com outros “serviços públicos”, as comunidades rurais que não gozam deles, continuarão a pagar a sua existência nas cidades.

Sob esta visão, o PT encoraja às e aos trabalhadores rurais da Sociedade Estatal de Correios agora sob ameaça de despedimento num previsível ERE, a iniciarem um diálogo com as comunidades nas que estão inseridos para que sejam promovidas as iniciativas coletivas necessárias para desenvolver um sistema postal à margem do Estado, de base comunitária, autogerida e democrática.

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