Contra a brutalidade repressiva estatal

  1. Desde o Partido da Terra rejeitamos a brutalidade repressiva estatal, como a que atualmente está a desenvolver o estado espanhol na Galiza e que se evidencia na sentença ditada esta semana contra quatro pessoas galegas. Condená-las a penas de 10 e 18 anos de cárcere é uma barbaridade repressiva dum ponto de vista democrático perpetrada por um tribunal que carece das mais mínimas garantias jurídicas exigíveis e que realiza pseudo-juízos políticos.
  2. A criação jurídica, por parte da “Audiencia Nacional” espanhola, duma presumida “organización terrorista” a operar na Galiza é, em mãos dum Estado obsessionado com a sua própria “integridade territorial” e com a criminalização e perseguição de qualquer processo soberanista ou movimento contestatário, um instrumento repressivo de primeira ordem que levanta a veda para criminalizar e penalizar qualquer organização social e política discordante.
  3. Valoramos que esta sentença, que evidencia o triunfo das teses mais regressivas para uma abordagem em termos penais e policiais das mencionadas posições soberanistas e movimentos contestatários, é uma sentença política e pretende abrir as portas para a criminalização de qualquer pessoa ou organização que reivindique legitimamente o direito a decidir o próprio futuro.
  4. Do mesmo jeito que existe uma indústria do lume, que não funciona se não há incêndios, existe também uma indústria do terrorismo, de análogo comportamento. Muito do pessoal público e privado -e as correspondentes empresas e departamentos do Estado- que operavam no Pais Basco até o cessar fogo definitivo de ETA, está a deslocar o seu foco de atenção e lucro para a Galiza. Deste jeito, convém evidenciar que os relatórios de “inteligência” que dão conteúdo à sentença não só servem a interesses políticos mas também funcionariais e empresariais.
  5. “Resistência Galega”, nos termos expressados pola sentença da “Audiencia Nacional“, é uma criação judicial que serve fins espúrios. O Partido da Terra não pode deixar de mostrar ou seu rechaço frontal às tentativas de criar novas formas de violência política, forem reais ou fictícias, condenando toda forma de violência, for qual for a sua procedência.
  6. Chamamos a sociedade galega a se concentrar em regime de auto-convocatória nas paróquias, vilas e cidades do nosso país para expressar o nosso rechaço frontal a este salto qualitativo para a repressão política e social que o estado acaba de dar com a sentença ditada. Hoje, a solidariedade, por riba de siglas e de diferenças políticas e ideológicas, é uma obriga de qualquer cidadão frente a um Estado corrupto e inerentemente antidemocrático. Neste sentido, também apelamos a sociedade galega a exercer a sua soberania e a tomar as rédeas do seu futuro desde já, sem aguardar pola permissão de ninguém, nem de nada.

Galiza, a 13 de setembro de 2013

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