PT faz apelo para consumo de leite não ultrapasteurizado

Chama à lembrança dos Mártires de Sobredo no seu 90º aniversário e à recuperação do espírito de solidariedade agrarista em defesa da Terra

No 90º aniversário do assassinato dos Mártires de Sobredo da mão do Estado, o Partido da Terra manifesta o seu apoio às explorações familiares e cooperativas da Galiza frente ao ataque constante dos monopólios industriais e de distribuição amparados polo Estado e a União Europeia. O PT chama à população a unir-se às medidas de pressão iniciadas polos coletivos de produtoras instando ainda ao consumo de leite não ultrapasteurizado (“leite” UHT) como medida efetiva para promover os ciclos curtos de produção-distribuição-consumo.

Consumir leite não ultrapasteurizado é um jeito prático de promover os mecanismos de distribuição direta polos pequenos produtores familiares e cooperativos, apoiando os esforços que têm empreendido nos últimos para instalar unidades dispensadoras em muitas das vilas do País. O leite não submetido a processos de ultrapasteurização não é só superior deste o ponto de vista organoléptico e nutricional (com quase 10 vezes mais ácido fólico) mas dada a sua vida curta, fomenta a produção e consumo locais, requer de plantas de processamento menos complexas e mais acessível para os pequenos produtores, ajuda a ultrapassar os monopólios industriais, tecnológicos (patentes “Tetra Pak”) e de distribuição e fomenta a redução de resíduos permitindo a reutilização.

A conscientização dos consumidores deve enquadrar-se num processo gradual de reformulação das relações de produção e consumo em base à sua localização, minimizando transporte, intermediários e geração de resíduos em todos os ciclos produtivos, transformativos e de consumo, propondo a paróquia e a comarca como células de auto sustentabilidade alimentar viáveis e rendíveis. Este processo só poderá ir para a frente com a cumplicidade ativa da população e não confiando-o na vontade e subsídio de um Estado e uma União Europeia decadentes e ao serviço, de jeito cada vez mais óbvio, das grandes corporações agroalimentares, químicas e de distribuição com as que forma uma só unidade de exploração e escravização de produtores familiares e cooperativistas e consumidores assalariados.

O Partido da Terra lembra que a imensa maioria dos produtos alimentares básicos presentes na rede de consumo procedem de explorações agroindustriais e de transformação situadas a centenas ou milhares de quilómetros do consumidor final. Não só o transporte, mas também a produção e embalagem implicam um elevadíssimo consumo de recursos fósseis, incluindo os combustíveis de sistemas mecânicos, fertilizantes, pesticidas químicos, etc. O previsível declive da produção de petróleo faz com que a transição para um modelo alimentar sustentável e local seja um imperativo político de primeira ordem. O sistema atual, sustentado polo consumo individual, atenta contra as próprias possibilidades de recuperação da produtividade do nosso mundo rural e da viabilidade social e económica das comunidades nele assentes, e gera no produto final sobrecustos, que num sistema industrial competitivo e consumista, vão em detrimento da qualidade final impondo o seu empobrecimento e a progressiva dependência frente a grandes conglomerados multinacionais.

Frente a isto, o PT apela à responsabilidade de consumidores e produtores para recuperar o espírito de solidariedade agrarista apostando pola distribuição direta local em substituição permanente ao “leite” ultrapasteurizado e às grandes superfícies estrangeiras, responsáveis diretas, junto com os seus clientes, de décadas de manipulação de preços que têm levado à ruína a milhares de pequenas explorações em todo o País perpetuando o submetimento financeiro do rural galego.

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