27-J: PT chama a participar no Bloco Laranja e a colaborar com a Iniciativa Legislativa Popular Paz-Andrade

Chama a membros, simpatizantes e amigos a participar na manifestação de 27 de janeiro e a ajudar na recoleção de assinaturas para a iniciativa popular

O Partido da Terra chama à participação no Bloco Laranja que irá percorrer as ruas de Santiago de Compostela no domingo 27 de janeiro numa manifestação apoiada por um amplo leque de organizações e coletivos de defesa da língua. A manifestação, que partirá da Alameda às 12:00, também será uma das últimas oportunidades para apoiar a Iniciativa Legislativa Popular Valentim Paz-Andrade para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia, que precisa de 15.000 assinaturas para ser levada ao Parlamento. O PT encoraja a membros, simpatizantes e pessoas amigas não só a assinar nesse dia mas a colaborar ativamente na recoleção de assinaturas.

Esta será a segunda edição no Bloco Laranja na que participa o Partido da Terra, dando continuidade à celebrada em maio de 2012. A convocatória, também promovida nas redes sociais, estará caraterizada polo uso da cor laranja e concluirá com a leitura do manifesto que reproduzimos a continuação e cuja difusão agradecemos:

Podemos motivar, podemos somar, mas é preciso virar o rumo

O espanhol, que já era a língua praticamente única das cidades galegas mais povoadas, também se tornou a língua ambiental de um grande número das nossas vilas médias e até pequenas nos últimos anos. Nestas circunstâncias, também ficaram mui reduzidas as pessoas que têm algum tipo de contacto com a nossa língua. Sabia-se que ia acontecer e aconteceu, de forma que algo tem que estar a falhar. Como tantas outras cousas na nossa sociedade, o movimento normalizador necessita de novos ares, de um novo rumo que não jogue todas as cartas à ação institucional e ao vitimismo de sermos língua menorizada. A situação da língua é delicada, mas nós pensamos que é possível voltar a conectar com a sociedade, voltar a motivar, voltar a somar.
As sociedades atuais e os comportamentos linguísticos delas são tão complexos que dificilmente se podem induzir ou alterar apenas através da ação institucional. Tampouco o ensino, nem que fosse maioritariamente em galego, asseguraria grandes avanços por si só. Temos muitos exemplos de que esse rumo não dá os frutos que esperávamos. Muito menos ainda, claro, quando a estratégia consiste simplesmente em ficar à espera dessa situação. Guiarmos noutra direção não nos instalaria repentinamente na situação oposta. Ora bem, parece claro que continuarmos a bater nas mesmas teclas, a de estar à espera de um ambiente ideológico propício e a de limitar os recursos que pomos ao dispor do processo normalizador, não gera a motivação social polo galego que desejaríamos.
Os coletivos reintegracionistas que hoje nos reunimos no bloco laranja entendemos que, sem renunciarmos a utilizar o ensino e as instituições públicas em prol da nossa língua quando estivermos em condições de o fazer, também devemos somar outro tipo de vontades e recursos à margem daquelas. Parece-nos o modo mais interessante de devolver ao movimento normalizador o entusiasmo de que atualmente carece e que julgamos imprescindível para conectar com a sociedade. Um novo rumo em que cada pessoa poda pôr o seu grão de areia para que o galego volte a ser, para além da língua que as pessoas identificam com o uso ritual institucional, uma língua de ambientação social. Por isso queremos animar-te a trabalhar conosco:

  1. Na promoção de espaços físicos de socialização em galego e polo galego em todas as comarcas do País.
  2. Na promoção de redes cooperativas de ensino em galego e polo galego em que o galego não seja apenas a língua da docência, senão o projeto que aglutine toda a comunidade educativa: direção, docentes, mães e pais, crianças…
  3. No aproveitamento de recursos lusófonos em todos os âmbitos em que seja possível, fazendo do intercâmbio com os outros países de fala galega a aposta cultural fundamental do movimento normalizador até que se criem condições mais favoráveis para a cooperação linguística com os estados de língua portuguesa.

São medidas simples que já se verificaram eficazes noutros países, porque não basta fazermos campanhas de promoção do galego: devemos fazer do galego uma opção interessante para as pessoas e para isso temos que ter em conta as pessoas.

Galiza, 27 de janeiro de 2013

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