PT adere ao Bloco Laranja

Chama a membros, simpatizantes e amigos a participar na manifestação convocada para o 17 de maio, Dia das Letras

O Partido da Terra vem de aderir ao “Bloco Laranja” formado polas organizações sociais e culturais reintegracionistas com o intuito de dar uma resposta unitária no dia 17 de maio, Dias das Letras Galegas. O Bloco Laranja sairá à rua em Compostela nesse dia numa manifestação convocada para as 12 horas na Alameda. A convocatória estará caraterizada polo uso da cor laranja e concluirá com a leitura do manifesto que reproduzimos a continuação:

A língua por bandeira: Na Galiza, só em galego!

A defesa do galego por parte de todos e todas as habitantes do nosso país é a melhor e a mais efetiva maneira de afirmarmos o direito coletivo a sermos o que sempre fomos: galegos e galegas.

A perseguição do direito fundamental a vivermos na nossa língua, protagonizada por todas e cada uma das instâncias oficiais da institucionalidade espanhola, é a melhor prova de até que ponto existe uma planificação por parte do Estado espanhol para a desaparição da Galiza como realidade diferenciada e com direito à existência.

O anterior é certo e visível no dia a dia de todos e todas nós. Os mecanismos de poder linguístico mantêm-se em mãos do espanholismo de maneira inegociável para eles. A ação desgaleguizadora não se reduz às etapas de governos do PP, por mais que essa força política represente a expressão mais crua da barbárie espanhola.

Esses mesmos mecanismos linguicidas estão presentes nas instituições governadas por todas as forças do espanholismo, “duro” e “brando”, e atuam de maneira decidida, favorecendo e favorecendo-se, em simultâneo, da desarticulação da comunidade linguística galega.

Concelhos, deputações, governo autónomo, organismos de justiça, ensino público e privado, meios de comunicação, poderes económicos… todos eles som expressões dos interesses oligarquia espanhola dominante e contam com a vergonhosa colaboração da classe dirigente galega, vendida e renegada.

Hoje é bem visível o resultado da co-oficialidade “outorgada” pola Constituição espanhola de 1978, que só marcou uma nova fase do histórico processo de assimilação. Desta vez em nome do bilinguismo, preparou o terreno para a liquidação definitiva do galego, que hoje está mais próxima do que nunca estivo.

A resistência que no plano linguístico sempre nos caraterizou, e que nos permitiu mantermos esse património milenar que é a língua, corre hoje mais risco que nunca de ser varrido polos poderosos meios de propaganda e restantes ferramentas com que conta o projeto nacional espanhol para conseguir o seu objetivo final: deixar a Galiza sem fala, convertê-la em mais uma região espanhola rendida e desarmada.

A resposta tem que estar à altura da agressão. Devemos promover e articular a unidade de todos os setores conscientes e defensores da nossa identidade linguística; devemos praticar e exercer dia a dia, em cada cidade e em cada vila, o direito a viver e organizar-nos em galego; mobilizar-nos e denunciar cada nova agressão, mantendo sempre em alto a bandeira que melhor representa o que ainda somos: galegos e galegas.

  • Querem converter o galego em língua marginal e estrangeira na própria pátria: defendamos a sua centralidade em toda atividade social, sem concessões.
  • Querem que o galego seja uma fala regional, “autonómica” e dependente do todo-poderoso espanhol: afirmemos e pratiquemos a unidade linguística galego-luso-brasileira, pois o galego faz parte de um amplo espaço linguístico internacional e não podemos desperdiçar o que isso supõe.
  • Querem converter o conflito linguístico num assunto institucional, decidido polas maiorias e minorias parlamentares: levemos o conflito às ruas e situemos o galego por cima de qualquer fracionalismo partidista e eleitoreiro. O galego é o primeiro!
  • Querem que assumamos o bilinguismo oficial e desequilibrado como inevitável, sabendo que o tempo joga a favor do espanhol: exerçamos a nossa soberania linguística, reivindicando a Oficialidade Única do galego numa Galiza soberana.
  • Querem que assumamos o espanhol e, através dele, que assumamos Espanha. Respondamos promovendo e galeguizando todo o tipo de projetos sociais, públicos e comunitários: escolas, centros sociais, produção cultural, música, luita social, política e sindical… todo ao serviço do nosso principal sinal de identidade coletiva, todo ao serviço de uma Galiza livre e em galego.

 

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